segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Presidente da República Centro Africana visita Angola

Luanda - O Presidente da República Centro Africana, François Bozizé, efetua uma visita oficial a Angola, nos dias 13 e 14 de Outubro, a convite do seu homólogo José Eduardo dos Santos.
Durante a visita, segundo refere um comunicado de imprensa do Ministério angolano das Relações Exteriores, François Bozizé terá um encontro, em privado, com o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.
Está igualmente prevista a realização de conversações oficiais entre delegações dos dois países, visando o reforço das relações bilaterais.
Conflito no Congo ameaça criar nova crise regional
Conflito entre exército e general está levando caos à região.
Só no ano passado a violência expulsou 425 mil pessoas de suas casas.
Um conflito em larga escala entre o exército congolês e um general renegado está arrastando o país de volta para a guerra, ameaçando enfraquecer a democracia recém instaurada e detonar um conflito regional numa proporção que não era vista há anos.
A batalha entre tropas do governo do Congo e o general rebelde Laurent Nkunda traz à tona muitas das mesmas questões que causaram a Guerra Civil do Congo, que supostamente terminou em 2003. Foi a guerra africana mais mortífera da era moderna, impulsionada por tensões étnicas entre hutus e tutsis, que levou ao genocídio na vizinha Ruanda, e também pela luta pelo controle da rica reserva mineral e terras férteis da nação, especialmente na região verde conhecida como província de Kivu do Norte.
Nenhum desses problemas parece estar inteiramente resolvido e a violência recente que surgiu já expulsou 425 mil pessoas de suas casas só no ano passado, incluindo os residentes de uma cidade estratégica de província. Na última terça-feira (11), eles saíram da cidade formando um verdadeiro rio de desabrigados em sofrimento, levando trouxas enroladas na cabeça e com crianças pequenas ao lado.
Muitos estavam fugindo pela segunda vez em duas semanas, enquanto as forças de Nkunda dirigiam tropas para cidades que haviam tomado dias antes e ameaçavam tomar Sake também. Nkunda é de etnia tutsi e fez um voto de proteger a todo custo os tutsis congoleses das milícias hutu de Ruanda. Sua vantagem foi evitada por pouco pelas forças de paz das nações Unidas, que chegaram na última terça-feira para ocupar a cidade enquanto o exército congolês fugia.
O conflito teve início apenas um ano depois das nações ocidentais terem ajudado a organizar uma eleição histórica que o produziu o primeiro governo escolhido democraticamente do Congo. A violência também está aumentando, apesar de anos de intervenções diplomáticas e militares por parte das Nações Unidas, da União Européia e dos EUA para estancar a maré de sangue e criar pela primeira vez, desde que se tornou independente da Bélgica em 1960, um Congo estável e próspero.
Após anos sendo subestimada em favor de crises em Darfur, Somália e outros países, o Congo mais uma vez subiu até o topo das prioridades americanas e européias na África. Na semana passada, a secretária de estado norte-americana, Condoleezza Rice se encontrou com líderes da região em um encontro que teve foco considerável no Congo. Outra reunião de diplomatas de alto escalão está marcada para este final de semana.
A luta recente deu origem a uma catástrofe de proporção descabida até mesmo para o Congo, onde alguns pesquisadores afirmam que 4 milhões de pessoas morreram, principalmente de doenças e de fome, desde que a guerra civil começou em 1996.
“A situação agora é a pior que já tivemos” desde o fim da guerra, declarou Patrick Lavand'homme, autoridade assistencial sênior das Nações Unidas em Goma. “E vai ficar muito, muito pior”.
Miséria
Em Goma, as clínicas estão lotadas de crianças esquálidas tão mal nutridas que precisam ser alimentadas por soro. Fora da cidade, campos improvisados pipocaram, e mais de 800 mil pessoas estão desabrigadas pela região. Epidemias de cólera, resultantes da água suja que inunda os campos fétidos, afetam milhares de pessoas.

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